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Safra de pêssego pode ter maior quebra dos últimos 50 anos na região de Pelotas

há 7 horas
3 min de leitura

Excesso de chuva em agosto provocou queda de frutos e afetou o desenvolvimento dos pessegueiros; associação estima redução de 70% na produção


Por GZH Zona Sul

Foto: Stefane Costa
Foto: Stefane Costa

O início de setembro, marcado por tempo firme, trouxe alívio para produtores rurais que retomaram atividades prejudicadas pelas chuvas. No setor do pêssego, porém, os efeitos da chuvarada de agosto continuam sendo sentidos nos pomares da região de Pelotas.


A estimativa da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas é de uma quebra de 70% na safra, prevista para começar em novembro. Se a projeção se confirmar, poderá ser a menor produção dos últimos 50 anos — e, segundo a entidade, há possibilidade de que seja a menor de um século.


Nos pessegueiros do produtor rural Andreo Raffi, em Pelotas, os frutos que deveriam estar se desenvolvendo praticamente desapareceram. O excesso de chuva ocorreu justamente no período em que as plantas saíam da flor e começavam a formar os frutos.


— Quando começou a desenvolver, que era a hora que ele estava desencapando, saindo da flor, veio muito excesso de chuva em cima. E aí ele não conseguiu fazer todo o processo. Vento forte também que derrubou — relata.

Raffi estima uma quebra de 80% na produção.


— O cara fica apreensivo, porque é uma quebra de 80%, e querendo ou não, é o nosso ganha-pão. Nós dependemos, a nossa vida está aí, todo o nosso trabalho que foi investido até agora foi perdido — contextualiza.


Raleio praticamente não será necessário

Em setembro, os produtores normalmente começam o raleio dos pessegueiros, processo em que os frutos menores são retirados para que os que permanecem tenham mais qualidade para a indústria.


Em safras consideradas boas, o trabalho pode durar mais de um mês. Neste ano, porém, muitos frutos caíram antes mesmo dessa etapa.


O produtor rural Matheus Werhli, por exemplo, passou cerca de 40 dias fazendo o raleio na safra passada. Agora, calcula que poderá realizar apenas algumas horas do trabalho.


— Ano passado eu fiz mais ou menos uns 40 dias de raleio e esse ano talvez vou fazer meio dia de raleio.


Questionado se isso ocorre porque não há necessidade do procedimento, ele responde:

— Não tem necessidade.


Na última safra, Werhli colheu cerca de 110 toneladas de pêssego. Neste ano, a produção não deve passar das 50 toneladas.


A diferença também pode ser observada na quantidade de frutos por árvore. Segundo o produtor, normalmente são encontrados entre 270 e 300 frutos em um pé, embora árvores menores possam ter cerca de 100.


Ao verificar uma das plantas neste ano, porém, o número era muito menor.

— Bom, nós contamos um ali antes, tinha 9 frutos — resume.


Região concentra principal polo industrial do país

A região de Pelotas concentra o principal polo industrial de pêssego do país. A Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas estima que a safra deste ano terá uma redução de 70% e deve começar em novembro.


Para o presidente da entidade, Adriano Bosenbecker, a produção pode atingir um patamar histórico de baixa.


— É talvez a menor safra histórica. Ao longo de 100 anos deve ser a menor safra, porque a gente não tem relatos. A Embrapa tem um levantamento dos últimos 50 anos de coleta e essa, se confirmando, vai ser a menor safra dos últimos 50 anos. Então não se tem relatos escritos de uma safra tão pequena assim — lamenta.


Preocupação com as próximas safras

Além da redução na produção deste ano, os agricultores estão preocupados com a saúde dos pomares. Os brotos que estão surgindo agora serão responsáveis pelas flores e pelos frutos das próximas safras.


Em algumas variedades, o desenvolvimento também foi prejudicado pelo excesso de chuva.


— Tem algumas variedades que nem brotaram quase ainda, que já era para brotar, talvez já está quase com palma de brotação, e se estagnaram, pararam. Simplesmente a gente está entrando com produtos para tentar melhorar esse metabolismo, para tentar melhorar alguns adubos folhares, alguns aminoácidos, para tentar metabolizar a planta, para dar uma injeção na veia da planta — explica Werhli.


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