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Produtores de soja da região apostam na boa umidade dos solos para atingirem melhores tetos de produtividade

  • há 2 horas
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Boa umidade do solo é vista como fator decisivo para elevar a produtividade da safra 2025/2026, apesar de perdas já registradas em algumas áreas

Por JTR

Foto: Luciara Schneid/JTR
Foto: Luciara Schneid/JTR

*Com informações da Assessoria de Imprensa


A soja é um dos grãos mais importantes para a economia do Rio Grande do Sul. A estimativa, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de que a produção gaúcha chegue a 18,9 milhões de toneladas na safra 2025/2026, alta de 13,9% em relação à safra anterior. A área plantada foi mantida em 6,8 milhões de hectares, redução de 3,7%, enquanto a produtividade média projetada chega a 2.769 quilos por hectare, aumento de 18,2% frente ao ciclo passado, quando a estiagem comprometeu fortemente as lavouras.


Apesar da recuperação, o levantamento da Companhia aponta que chuvas irregulares desde janeiro e temperaturas elevadas em fases críticas da cultura provocaram abortamento de flores e vagens, assim como a redução no peso dos grãos, o que levou a ajustes na estimativa de rendimento. Dados da Emater Regional Pelotas indicam que a região sul do Estado, que abrange Pelotas e outros 21 municípios, implantou uma área de 513.327 hectares de soja para a safra 2025/2026. A colheita começou na última semana deste mês de março, em algumas propriedades do Capão do Leão, em áreas bem pequenas, e se intensifica a partir do mês de abril, como informa o extensionista da Emater Pelotas, Luciano Ossanes. Também há indícios de colheita nos municípios de Turuçu, São Lourenço do Sul, São José do Norte, Santana da Boa Vista, Piratini e Canguçu, com 2% da área colhida.


A maioria das lavouras se encontram nas fases de floração e enchimento de grãos, estágios em que as plantas mais necessitam de boa umidade nos solos para atingirem os melhores tetos de produtividade. No geral, nas lavouras de toda região, as plantas apresentam normalidade no seu desenvolvimento. “Mesmo com as chuvas ocorridas ao longo do mês de março, para recuperar e assegurar boas produtividades nas lavouras onde ainda é possível, serão necessárias mais chuvas durantes as próximas semanas”, explica a Emater.


Lavouras de soja implantadas em épocas de início de janela de semeadura, são as que mais terão redução de produtividade devido aos efeitos da estiagem. Apesar do retorno das precipitações, estas áreas já estão bastante reduzidas. Muitas lavouras já definiram seus tetos de produtividade, aguardando a maturação para encaminhar as áreas para colheita.


Na região, as lavouras estão com 1% das áreas na fase de desenvolvimento vegetativo, 10% na fase de florescimento e 79% em enchimento dos grãos e 8% em maturação. A necessidade de chuvas frequentes e abundantes se dá por 93% das lavouras estarem na fase crítica de definição de rendimento (florescimento e enchimento de grãos), estabelecendo as produtividades da safra 2025/2026. Em algumas lavouras as perdas não serão revertidas.


Emater e Embrapa auxiliam produtores na condução das lavouras


Natural de Mangueirinha, no Paraná, o produtor Mário Casali, com propriedade no Passo da Micaela, 9º distrito de Pelotas, se estabeleceu no local, há seis anos, e está no limiar de colher a sua sexta safra. “De cinco safras até agora tive apenas uma frustração, quando a produtividade chegou a 36 sacos por hectare, as outras ficaram acima de cinquenta e, no ano passado, ultrapassou os 60 sacos”, diz o produtor. O segredo é a adubação verde de inverno, prática ainda pouco difundida na região, salienta.


Na propriedade, uma antiga chácara de pêssego, a fruta deu lugar à soja, ao milho e ao feijão, culturas que realiza no sistema de rotação, o que garante uma fonte de renda a mais para o produtor. Dos 96 hectares, 65 são destinados à soja, que somada a outra parte arrendada, chega a 110 hectares. Aos 70 anos, Casali conta que decidiu arrancar o pomar de pêssego, que já era antigo, por não entender da cultura, mas deixou alguns pés para teste. “Na mata nativa, que se estende por 30 hectares da propriedade, ninguém mexe”, garante.


Para o milho, o feijão e a soja, como cobertura de solo ele planta centeio, que garante ser a melhor gramínea para a cultura. “Lá no Paraná é diferente, se planta soja no dia 20 de setembro, colhe no final de janeiro e início de fevereiro, e se planta feijão no resíduo”, conta. Na área da soja testa diversas variedades para ver o desempenho de cada uma e definir a que se sai melhor.


A propriedade recebeu, no dia 20 deste mês, o Dia de Campo da Emater sobre Plantio 360, que leva tecnologias sustentáveis aos produtores locais. Entre os principais aspectos do Plantio 360 está o foco no solo, pois aborda manejo conservacionista, correção de solo, adubação e rotação de culturas para maior resiliência e plantabilidade, que consiste em técnicas para semeadura adequada, incluindo regulação de semeadoras, tratamento de sementes e distribuição correta de sementes.


O cuidado com o solo na propriedade foi evidenciado na estação técnica conduzida pela Emater/RS-Ascar durante o Dia de Campo. A Instituição apresentou dados sobre o desempenho de diferentes plantas de cobertura, como aveia, ervilhaca, centeio e nabo, por exemplo, nas condições da região, com foco na produção de matéria seca e melhoria da fertilidade do solo. O uso de plantas de cobertura pode contribuir para a retenção de água, redução da erosão e aumento de matéria orgânica, auxiliando no enfrentamento de eventos climáticos extremos, como estiagens e chuvas intensas.


O manejo adequado do solo também é importante para garantir a eficiência do uso de bioinsumos, tema destacado na estação conduzida pela Embrapa Clima Temperado, na qual os participantes observaram os efeitos da aplicação da bactéria Bacillus aryabhattai, associada ao maior desenvolvimento radicular das plantas e ao aumento da tolerância ao déficit hídrico.


Os participantes visitaram ainda outras duas estações. A Elo Agronegócios apresentou diferentes cultivares de soja e orientações sobre o manejo específico para cada variedade. Já a Alvorada John Deere destacou aspectos relacionados à mecanização agrícola, com ênfase nas condições ideais de operação dos equipamentos para garantir uma semeadura eficiente e uniforme. O evento foi promovido pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Embrapa Clima Temperado, Elo Agronegócios e Alvorada John Deere.



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