Polícia Civil investiga caso de racismo na Câmara de Pelotas
- há 15 horas
- 2 min de leitura

Secretário Antonio Leonel teria sido uma das vítimas (Foto: reprodução TV Câmara)
Inquérito apura tratamento dado a secretário municipal e representante quilombola durante reunião de comissão.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar um possível caso de racismo institucional ocorrido durante uma reunião da Comissão de Agricultura e Pesca da Câmara de Vereadores de Pelotas, realizada no dia 12 de agosto. O caso envolve o secretário municipal de Desenvolvimento Rural, Antônio Leonel, e um representante da comunidade quilombola.
A denúncia foi registrada na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância por meio de um boletim de ocorrência apresentado dois dias após a reunião. Segundo o representante quilombola, ele teria solicitado o direito de fala durante a sessão, mas não foi autorizado a se manifestar, enquanto outras pessoas puderam falar posteriormente. Para ele, a diferença de tratamento teria ocorrido por preconceito racial.
Leonel também foi apontado como possível vítima. O secretário havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre estradas e pontes, mas, conforme o registro policial, teria sido questionado sobre outros assuntos e colocado em uma situação que, segundo a denúncia, teria contribuído para sua desqualificação pública.
Investigação
O delegado Vinícius Nahan confirmou o andamento do inquérito. O secretário Antônio Leonel já prestou depoimento e afirmou ter se sentido vítima de discriminação racial. Duas testemunhas que participaram da reunião também foram ouvidas.
A Polícia Civil ainda deverá ouvir quatro pessoas investigadas: três agentes políticos e uma mulher que se manifestou durante a sessão.
O delegado explicou que a investigação não trata, neste momento, de uma acusação de injúria racial explícita. Segundo ele, não houve uma ofensa direta relacionada à cor da pele. O objetivo é apurar se o contexto da reunião, a forma como os trabalhos foram conduzidos e o tratamento dado aos envolvidos tiveram relação com o fato de Leonel ser negro e quilombola.
A investigação seguirá com a coleta de depoimentos e demais elementos que possam esclarecer o que ocorreu durante a reunião.
Matéria: Pedro de Campos



Comentários