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Justiça Militar condena quatro PMs por tortura contra torcedor do Xavante que ficou em coma após agressões

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

As penas variam de três anos e seis meses a oito anos e dois meses de reclusão


Por Redação

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Justiça Militar condenou quatro policiais militares por tortura contra o torcedor Rai Duarte, que ficou em coma após ser agredido durante uma abordagem da Brigada Militar (BM), em maio de 2022, depois de uma partida de futebol em Porto Alegre. As penas variam de três anos e seis meses a oito anos e dois meses de reclusão.


O caso ocorreu em 1º de maio de 2022, após a partida entre Brasil de Pelotas e São José, válida pela Série C do Campeonato Brasileiro, no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre.


Foram condenados os soldados Leandro Duarte Lemes, João Carlos Krauze do Nascimento e Kelli Lisiane Abreu Marques e o tenente Dilnei Silva Leon, que comandava a equipe policial naquele dia.


Outros 13 policiais militares que respondiam ao processo foram absolvidos.


O advogado de Rai Duarte informou que pretende recorrer da decisão. Segundo a manifestação citada pela reportagem, a defesa recebeu com tranquilidade a condenação dos quatro policiais, mas entende que os agentes absolvidos também tiveram participação no caso.


Agressões

Segundo o julgamento, Rai foi retirado de um ônibus da torcida após uma confusão registrada depois da partida. Conforme a decisão judicial, ele não teria participado da briga, mas foi retirado do veículo mesmo assim. De acordo com a condenação, o torcedor foi levado a um banheiro e espancado pelos policiais.


Rai ficou em coma após as agressões, permaneceu 116 dias hospitalizado e foi submetido a 14 cirurgias.


Relembre o caso

Rai Duarte é agente de saúde em Pelotas e torcedor do Grêmio Esportivo Brasil. Ele foi internado em estado grave na noite de 1º de maio, após a partida entre Brasil e São José, no Estádio Passo D’Areia, em Porto Alegre.


Por volta das 19h, agentes do 11º BPM ingressaram no local para controlar uma briga. Após a confusão, quando torcedores do time visitante retornavam para a arquibancada, 11 deles foram encurralados pelos policiais, segundo a denúncia.


Rai, que não havia participado do conflito, estava em um ônibus para retornar a Pelotas quando foi retirado do veículo e preso por três policiais por motivo não esclarecido, conforme os promotores. Algemado, foi levado junto aos demais torcedores e agredido em um banheiro.


O Ministério Público aponta que Rai sofreu lesões graves, entre elas hemorragia intra-abdominal, ruptura da artéria cólica média, hematoma em mesocólon transverso, isquemia de cólon transverso, choque hemorrágico e escoriação no segundo dedo da mão esquerda.


De acordo com a denúncia, Rai teria questionado os policiais por não terem informado o motivo da prisão. O torcedor, que havia sido policial militar temporário, também teria afirmado reconhecer os procedimentos e questionado a ação dos agentes.


Os PMs teriam conferido a identidade de Rai e, ao constatarem que ele não era militar da ativa, passaram a agredi-lo com tapas, socos e chutes, além de proferirem ofensas contra ele.


A acusação afirma ainda que os 12 torcedores sofreram agressões por mais de 40 minutos, sempre algemados, deitados ou sentados e sem oferecer resistência ou risco aos policiais.


No inquérito policial militar conduzido pela BM, dez PMs haviam sido indiciados por tortura e lesão corporal de natureza grave, enquanto outro agente foi responsabilizado por tortura e tentativa de homicídio. Segundo a corporação, os demais envolvidos teriam participado com menor nível de comprometimento.

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