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João Schmidt revive crime histórico em espetáculo sobre homofobia

  • Foto do escritor: Rádio Tupanci
    Rádio Tupanci
  • 11 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Em entrevista à Rádio Tupanci, o ator João Schmidt fala sobre o espetáculo que resgata o brutal assassinato de João Pedro dos Reis em 1897, expondo feridas ainda abertas do preconceito e da violência contra pessoas LGBTQIA+


Por Clarissa Ribeiro

Imagem: Rádio Tupanci
Imagem: Rádio Tupanci

Na manhã desta quarta-feira (10), a Rádio Tupanci entrevistou o artista pelotense João Schmidt, para conhecer um pouco mais do seu espetáculo teatral ‘’João’’, que conta com o tema homofobia histórica como pano de fundo, mesclando arte, memória e denúncia. A obra resgata a história de João Pedro dos Reis, que foi brutalmente assassinado.


O espetáculo conta uma história ocorrida em 1897, na própria cidade de Pelotas. João Pedro dos Reis, morador da rua Voluntários da Pátria, foi assassinado com cinco punhaladas dentro de sua casa. A peça, escrita pela dramaturga Helena Prates, é uma forma de dar voz a quem é silenciado por meio da arte, importante ferramenta de busca por justiça, logo, chamou a atenção de João Schmidt, que busca sempre interpretar assuntos de interesse local em sua vida artística ‘’Quando eu vi isso, eu me interessei, porque eu sempre me interesso pelos teatros locais, pelos assuntos que podem ser locais. E quando eu vi esse tema acontecido há mais de 128 anos atrás, e essa história continua se repetindo, que é os crimes da homofobia, eu quis tocar nesse tema, eu quis falar sobre esse assunto, é uma coisa que não parou, continua acontecendo. Há 120 anos ainda continuam matando homossexuais por esse país afora, por esse mundo afora’’, afirma o ator.


O artista também reafirma a importância de assuntos como este serem retratados em espetáculos, e de artistas se engajarem nessas causas ‘’Uma das condições que eu acho que é do artista é se posicionar, se posicionar a favor das causas que englobam pessoas num maior número dessas coisas. Quando eu fiz o último trabalho que foi sobre a ditadura, nós vivíamos uma ditadura no governo Bolsonaro. O próximo assunto foi trazido por Helena Prates, então quem sabe a gente não fala agora sobre a homossexualidade, que continua sendo o grande tabu, sabe, vai continuar sendo. O preconceito é completamente ainda velado, ainda se atura os homossexuais no mundo’’, ressalta João. 


A peça, que envolve um grande número de pesquisa e levantamento de dados, proporcionou a equipe uma vasta busca em bibliotecas e diferentes contatos para um espetáculo com informações precisas, mesmo em meio a qualquer dificuldade ‘’A dificuldade maior foi que a gente conseguiu só para o final ter um retrato dele, uma foto. Mas conseguimos, ainda tem parentes dele vivos. A Helena Prates, que é a autora, a dramaturga, fez uma pesquisa nas bibliotecas de Pelotas, graças a Deus ainda temos a biblioteca de Porto Alegre, onde tinha a matéria. Porque esse crime foi muito, muito, muito divulgado. Os dados históricos estão em livros na biblioteca, para quem quiser pesquisar.’’, explica.


É importante ressaltar que esse é um projeto financiado pela lei Aldir Blanc, com o apoio da Secretaria de Cultura, pela própria prefeitura. São ao todo 16 espetáculos, sendo 8 neste mês de setembro e 8 em março, completamente de graça, basta chegar nas sedes do Tholl para retirar os seus convites. As próximas quatro sessões de setembro já estão esgotadas, mas ainda há ingressos para o dia 28 e 29, que ocorrem na sede do Tholl - centro de treinamento do grupo, na rua Padre Anchieta, número 925, sede própria do grupo, adquirida há mais de um ano.



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