Hotel Manta é lacrado após falência decretada pela Justiça em Pelotas
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Justiça determinou fechamento do empreendimento nesta sexta-feira
Por GZH Zona Sul

O Hotel Manta, fundado em 1957 e um dos empreendimentos mais tradicionais de Pelotas, foi lacrado na manhã desta sexta-feira (15) após a decretação de falência determinada pela Justiça. A decisão havia sido publicada na quarta-feira (13) pelo Juizado Regional Empresarial da Comarca de Pelotas.
A empresa havia ingressado com pedido de recuperação judicial em 2025, mas teve o plano rejeitado pelos credores em assembleia realizada no fim de abril. A Justiça também considerou que o grupo não demonstrou capacidade de superar a crise econômico-financeira.
Com a falência, foi determinada a lacração imediata do hotel, além da avaliação de bens, bloqueio de contas bancárias e levantamento patrimonial da empresa.
Na manhã desta sexta, funcionários acompanharam o encerramento definitivo das atividades ainda dentro do prédio. Os últimos hóspedes deixaram o hotel antes da lacração, encerrando oficialmente a operação do empreendimento.
"Eu gostaria que terminasse no auge"
Entre os funcionários estava o mensageiro José Ubirajar Gonçalves Silveira, de 63 anos, que trabalhou por 36 anos no hotel. Ele começou no empreendimento em 1989, aos 27 anos, e afirma que nunca imaginou acompanhar o fechamento definitivo do local.
— É muito triste terminar uma empresa assim. Eu gostaria que um dia eu saísse e ela estivesse sempre no auge — afirmou.
Segundo ele, os principais problemas começaram a aparecer nos últimos meses, sobretudo pela falta de materiais básicos para o funcionamento diário do hotel.
— Estava faltando muita coisa para trabalhar. Esse era o maior problema. O salário ainda pagavam em dinheiro, mas o FGTS pararam de depositar faz tempo — relatou.
O funcionário também afirmou que os trabalhadores não recebiam informações claras sobre a situação financeira do empreendimento.
— Não faziam reunião, não explicavam o que estava acontecendo — disse.
Mesmo após a decretação da falência, os trabalhadores continuaram comparecendo normalmente ao hotel até esta sexta-feira.
— Eu sempre pensei em trabalhar até o dia em que o hotel estivesse aberto. Infelizmente, agora vai fechar — afirmou.
Administração judicial explica próximos passos
Representantes da administração judicial se reuniram com os funcionários na manhã desta sexta-feira para explicar como funcionará o processo de falência e o pagamento dos créditos trabalhistas.
Segundo foi informado aos trabalhadores, as atividades do hotel estão oficialmente encerradas e o prédio permanecerá lacrado. A orientação é preservar todos os bens do empreendimento para futura venda judicial.
Um leiloeiro já foi nomeado pela Justiça e será responsável pela avaliação e posterior venda dos ativos do hotel em leilão público. A expectativa apresentada é de que o processo ocorra em até 180 dias, prazo previsto na legislação falimentar.
A administração judicial também informou que os créditos trabalhistas possuem preferência legal no processo falimentar, especialmente em relação a salários e verbas trabalhistas limitadas a até 150 salários mínimos por trabalhador.
Segundo os representantes, já existem ações ajuizadas para garantir os direitos dos funcionários, incluindo valores relacionados a FGTS atrasado.
O dinheiro arrecadado com a venda dos bens será depositado em conta judicial e utilizado para pagamento dos credores reconhecidos no processo.
A administração judicial também informou aos funcionários que ainda não é possível estabelecer prazo exato para os pagamentos, já que isso dependerá da conclusão das avaliações, realização dos leilões e organização da lista de credores.
Além da preocupação com os trabalhadores, o processo também envolve questões estruturais do prédio, como equipamentos compartilhados com imóveis vizinhos e sistemas utilizados por outros serviços instalados na região.
Paralisação antecipou crise
O fechamento definitivo ocorre semanas após uma paralisação organizada pelos trabalhadores em 28 de abril. Na ocasião, funcionários denunciaram atrasos salariais, ausência de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e dificuldades relacionadas a férias e direitos trabalhistas.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade de Pelotas (SintraturhPel), cerca de 40 trabalhadores são atingidos diretamente pelo encerramento das atividades.
A reportagem buscou contato com a gerência e a direção do empreendimento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.



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