Dona Conceição Teixeira: uma vida entre o samba, o cuidado e a resistência cultural
- deborasaraivajv
- 7 de jul. de 2025
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Pelotas se despediu no sábado (5) de uma de suas figuras mais emblemáticas. Aos 85 anos, faleceu Conceição Rosa Teixeira – ou, como era carinhosamente conhecida, Dona Conceição do Lar, Mãe Co ou Dona Conceição dos Mil Sambas. Mais do que um nome, ela foi sinônimo de acolhimento, arte e força cultural na periferia da cidade.
Moradora da Vila Castilho, Dona Conceição construiu um legado silencioso, porém imensamente poderoso. Sem formação musical ou técnica em instrumentos, compôs mais de mil sambas escritos à mão, guardados em sacolas de supermercado e repletos de poesia popular. Ela chamava suas canções de “filhos de papel” — expressão que revela a ternura e a dedicação com que via a própria criação artística.
Foi graças ao trabalho do pesquisador Leandro Maia, entre 2015 e 2018, que parte dessa obra começou a ganhar visibilidade. Durante seu doutorado na Bath Spa University, no Reino Unido, Maia reuniu, catalogou e divulgou composições da artista. Em 2017, Dona Conceição lançou uma coletânea com 13 músicas, revelando ao público uma voz única, forjada nas experiências do cotidiano e na resistência da mulher negra da periferia.
Mas sua contribuição vai muito além da música. Dona Conceição também foi mãe de mais de cem crianças em situação de vulnerabilidade. Em sua casa simples, transformada em refúgio, ofereceu comida, cuidado e, sobretudo, amor. Seus “filhos do coração”, como costumava dizer, são testemunhas vivas do que significa acolher com dignidade e generosidade.
Símbolo de afeto, ancestralidade e resiliência, Dona Conceição deixa um legado que ultrapassa o tempo. Seu nome permanecerá vivo nas partituras escritas com lápis, nas histórias de quem ela cuidou e nas vozes que ainda hão de cantar seus sambas.
Foto: Reprodução
Fonte: JTR





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