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A Assembleia Geral da ONU começa nesta terça-feira com discurso do presidente brasileiro

  • Foto do escritor: Rádio Tupanci
    Rádio Tupanci
  • 23 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de set. de 2025

Na manhã desta terça-feira (23), às 10h, iniciou-se a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU

Por Marina Zeni

Presidente Lula na Assembleia Geral da ONU de 2024 — Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente Lula na Assembleia Geral da ONU de 2024 — Foto: Ricardo Stuckert/PR

A 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU começou nesta terça-feira (23), em Nova York, com o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro reúne líderes e representantes de 193 países-membros e vai até o dia 29 de setembro. O evento deve promover assuntos como os conflitos na Faixa de Gaza e na Ucrânia, a defesa da democracia e o meio ambiente, além de ocorrer durante um período de intensas disputas políticas e reconfiguração do papel dos Estados Unidos no mundo. 


Tradicionalmente, os discursos da Assembleia iniciam com o do presidente brasileiro. O motivo disso, segundo Desmond Parker, chefe de protocolo da ONU, à rádio norte-americana NRP em 2010, é que “em tempos muito antigos, quando ninguém queria falar primeiro, o Brasil sempre se oferecia para falar primeiro”. Mas há outras teorias que justificam a origem da tradição. 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o primeiro chefe de Estado a discursar, às 10h49. O seu pronunciamento durou aproximadamente 15 minutos, tempo limite para declarações, que deve ser respeitado pelos oradores. Logo no início de sua fala, Lula classificou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro como justa, ressaltando o amplo direito de defesa e afirmando que ele é o único presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. Declarou que os ataques ao Judiciário brasileiro não correspondem à realidade e reafirmou, ainda, que a soberania e a democracia brasileiras são “inegociáveis”.


Segue falando dos direitos humanos, da vida com dignidade, sem fome, com segurança, educação e saúde, e traz o fato da saída do Brasil do Mapa da Fome. Fala que a comunidade internacional deve rever suas prioridades, diminuir os gastos com guerras e ajudar a matar a fome e a pobreza das pessoas em situação de vulnerabilidade. As nações devem, ainda, rever os padrões do comércio, para que os super-ricos paguem mais impostos que os trabalhadores. 


Ao tratar das guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza, Lula defendeu que a ONU deve intervir, afirmando que “nada justifica o genocídio em Gaza”. Também traz as situações climáticas, citando as conquistas do país referente à proteção do meio ambiente e da Amazônia. 


O presidente foi aplaudido cinco vezes durante o discurso, especialmente ao abordar o genocídio em Gaza, a soberania brasileira, a defesa dos direitos humanos e a proteção do meio ambiente.


Logo em seguida, inicia-se o discurso do presidente norte-americano, Donald Trump. Tradicionalmente o segundo a falar, já que os Estados Unidos é sede da ONU. Em seu discurso, Trump relata ter abraçado Lula nos bastidores da Assembleia, e que os dois teriam concordado de se encontrar na próxima semana. Ele ainda alerta que “o Brasil está indo mal” e que só irá melhorar se trabalhar com os Estados Unidos. Por fim fala que o país impôs “tarifas injustas” contra os EUA no passado. 


A Assembleia Geral da ONU é o principal órgão deliberativo e representativo das Nações Unidas. Criada em 1945, com a Carta das Nações Unidas, vem ocupando a posição central na formulação de políticas globais e no desenvolvimento do direito internacional. O evento acontece regularmente de setembro a dezembro, podendo convocar sessões extraordinárias sempre que necessário, contendo 193 Estados-membros, cada um com direito a um voto. 


Após a fala do presidente norte-americano, a ordem dos discursos, conforme a ONU, é baseada no nível de representação, preferência e outros critérios, como o equilíbrio geográfico. 


Até 29 de setembro, a 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU deve concentrar atenções em temas como Gaza, reconhecimento do Estado Palestino, Ucrânia, meio ambiente e democracia. Em meio a um cenário internacional conturbado, o encontro se consolida como espaço central de negociação e tentativa de consenso entre os 193 países-membros.


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