Toffoli se declara suspeito e decide não participar de julgamento que pode abrir investigação sobre Moraes
Ministro tem declarado motivo de foro íntimo para não participar da análise de casos ligados ao banco. Toffoli era relator das apurações no STF antes de André Mendonça
Por G1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito por motivo de "foro íntimo" e não vai participar do julgamento que pode decidir abrir uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes.
"Entendo que, como tenho me manifestado na turma pela suspeição, e reforço, não por me sentir impedido, mas por suspeição de foro íntimo, para preservação da Corte, no ponto de vista de eventuais especulações, eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei", disse Toffoli.
A saída do ministro da relatoria do caso ocorreu em fevereiro, após o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) apontarem a ligação do ministro com o Banco Master.
Desde que deixou a relatoria do Master, Toffoli não participou de julgamentos do caso na Segunda Turma do STF, como os que confirmaram a prisão de Daniel Vorcaro, de familiares, e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
O ministro também se declarou suspeito para analisar pedido que cobrava instalação da CPI do Master na Câmara.
O STF decide nesta terça sobre a validade de um relatório elaborado pela PF, a pedido de André Mendonça, que revelou mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, sugerindo blindagem contra as investigações.
A Corte deve analisar também o pedido de nulidade do relatório apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que assina a manifestação, diz que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, não deveria pedir apurações sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF.
Toffoli e o Master
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria das investigações após o avanço das investigações da PF apontarem a ligação dele próprio com negócios da instituição financeira.
O avanço das investigações revelou uma série de ligações envolvendo o Master, a gestora de investimentos Reag e o Resort Tayayá, no Paraná.
Em 2021, uma empresa gerida pelos irmãos de Toffoli, e da qual o ministro revelou ser sócio, vendeu a um fundo de investimentos uma parte que tinha no resort.
A empresa Maridt, dos irmãos de Toffoli, teve participação no resort até o ano passado.



Comentários