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Setembro Verde reforça importância da conversa sobre doação de órgãos em Pelotas

  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Coordenadora do projeto “Diga Sim à Doação de Órgãos” destaca para a Rádio Tupanci que informação e diálogo familiar podem ajudar a reduzir a fila de transplantes no Estado.


Durante o Setembro Verde, campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, o debate sobre transplantes volta a ganhar destaque em todo o país. No Rio Grande do Sul, mais de 3 mil pessoas aguardam atualmente por um órgão, segundo dados citados por Laura Tonial, coordenadora do projeto “Diga Sim à Doação de Órgãos”, que desenvolve ações de conscientização há mais de seis anos ao lado do marido.


Para Laura, o Setembro Verde é uma oportunidade para aproximar a população da realidade enfrentada por quem espera por um transplante. Segundo ela, por trás de cada pessoa na fila existe uma família que convive com a expectativa de um novo começo.


“Cada doação é um novo começo”, destaca Laura

Falta de informação ainda é um dos principais obstáculos

De acordo com a coordenadora, o desconhecimento sobre o processo de doação ainda é uma das principais dificuldades para ampliar o número de transplantes. Entre as informações que precisam chegar à população está a possibilidade de um único doador beneficiar até oito pessoas.


Outro fator apontado por Laura é a falta de diálogo dentro das famílias. Segundo ela, 46% das famílias recusam a doação por não saberem qual era a vontade do potencial doador.


Muitas pessoas manifestam individualmente o desejo de doar os órgãos, mas não conversam sobre a decisão com os familiares. Essa falta de comunicação pode se tornar um obstáculo no momento em que a autorização é necessária.


Família tem papel decisivo

Laura explica que, no Brasil, a autorização familiar é fundamental para que a doação de órgãos após a morte seja realizada. Por isso, apenas considerar-se doador ou registrar formalmente essa vontade não é suficiente.


“Não adianta termos na carteira de identidade que somos doadores, termos o atestado do Tribunal de Justiça de que somos doadores, termos o registro em Tabelionato de que somos doadores, se a família não concordar com a doação”, explica.

Por isso, a recomendação é que o assunto seja discutido ainda em vida. Ao comunicar a decisão aos familiares, o potencial doador aumenta as chances de que sua vontade seja conhecida e respeitada no momento em que a família precisar tomar a decisão.


Um gesto que pode continuar em outras vidas

Para quem nunca refletiu sobre a possibilidade de ser um doador, Laura reforça que a decisão começa pelo diálogo. Ela defende que as pessoas conversem abertamente com seus familiares e deixem clara sua vontade.


“Seja um doador de esperança para essas pessoas que aguardam órgãos e para suas famílias”, afirma.

A coordenadora também deixa uma mensagem sobre o significado da doação:

“Não permita que a terra consuma seus órgãos, mas que sua vida possa continuar na vida de outras pessoas.”

O Setembro Verde busca justamente ampliar esse diálogo e incentivar a população a conhecer o processo de doação, esclarecer dúvidas e, principalmente, conversar com a família sobre a decisão de ser um doador.

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