Senador Luis Carlos Heinze detalha licitações da hidrovia Brasil-Uruguai
- Jean Pierre Knepper
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Hidrovia conecta o nordeste uruguaio com o Sudeste gaúcho
Por Luciara Schneid / JTR

No último sábado (27), o senador Luis Carlos Heinze (PP) esteve em Pelotas para discutir os principais avanços no projeto da hidrovia da Lagoa Mirim, que teve dois editais lançados na terça-feira (23) pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Durante coletiva no hotel Jacques Georges Tower, ele falou sobre o histórico e evolução do projeto, uma demanda binacional que iniciou nos anos 1960, pelos então presidentes Eduardo Haedo, do Uruguai e João Goulart, do Brasil. Foi retomada a partir de 2020, no governo Bolsonaro (PL), com seguimento no governo Lula (PT) e a parceria do atual presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. Heinze se tornou um dos principais articuladores da Metade Sul para a consolidação deste projeto e acompanha de perto a evolução de cada uma das suas etapas. A hidrovia conecta o nordeste uruguaio com o Sudeste gaúcho.
As licitações preveem a contratação de empresa para a elaboração de projetos executivos de dragagem e sinalização náutica, execução dos serviços de dragagem e sinalização náutica do canal navegável da hidrovia da Lagoa Mirim e outra para execução dos serviços de levantamento hidrográfico, supervisão das atividades de elaboração de projeto executivo e supervisão das obras de dragagem e de sinalização da hidrovia. Os serviços incluem os canais navegáveis do São Gonçalo e da Lagoa Mirim e do Sangradouro, até o canal de acesso ao porto de Santa Vitória do Palmar. A abertura das propostas ocorre em 3 e 10 de março, respectivamente. São cerca de 140 quilômetros de trecho a serem melhorados, conectando toda a região a portos como Santa Vitória, Rio Grande e Pelotas. Segundo Heinze, o valor destinado para a obra está estimado em R$ 60 milhões.
O senador explica que, na sequência da obra ocorre a concessão pelo período de 20 anos. “Será a primeira hidrovia concedida (pedagiada) do Mercosul”, ressalta, processo liderado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPA) através da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), que deve atrair investimentos privados para Brasil e Uruguai, especialmente na Metade Sul do País. Também está prevista a construção de terminal logístico, no rio Tacuari, no Uruguai.
Com a melhoria da navegabilidade, entre os terminais uruguaios em direção aos portos de Pelotas e Rio Grande, o objetivo é reduzir custos de transporte no escoamento de grãos, como soja e arroz, e de madeira e impulsionar o desenvolvimento regional através do agronegócio. Segundo ele, a hidrovia irá movimentar toda a Metade Sul do Rio Grande do Sul e além de movimentar portos como Rio Grande, Santa Vitória e Pelotas, abre a possibilidade de construção de terminais portuários em Jaguarão e na localidade de Santa Isabel, em Arroio Grande.
Também abre a perspectiva de retomada dos investimentos em florestamento na Metade Sul e reacende o interesse de empresas de celulose como a CMPC, para quem sabe, no futuro, retomar a instalação de uma fábrica de celulose, projeto idealizado pela antiga Votorantim na região, argumenta. Heinze destaca que ao mesmo tempo que diminui o fluxo de caminhões em grandes rodovias como a BR-116, a hidrovia também irá impulsionar o transporte de cargas em direção aos terminais portuários. Acompanharam a coletiva, o vereador Arthur Halal e o ex-prefeito e ex-deputado federal Adolfo Fetter Júnior.





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