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RS registra 1.280 feminicídios e mais de 27 mil estupros em 13 anos

  • Foto do escritor: Lucas Duarte Maciel
    Lucas Duarte Maciel
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

O número equivale à média de uma mulher assassinada a cada quatro dias no estado

Por Assessoria de Imprensa

Foto: Eduarda Borges/Arquivo JTR
Foto: Eduarda Borges/Arquivo JTR

Entre 2012 e 2025, o Rio Grande do Sul registrou 1.280 feminicídios, segundo balanço da Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, da Assembleia Legislativa, com base em dados do Observatório da Violência contra a Mulher da Secretaria de Segurança Pública do RS. O número equivale à média de uma mulher assassinada a cada quatro dias no estado.


No mesmo período, foram contabilizados 27.426 estupros. Em média, são 5,36 casos por dia, o que representa mais de cinco mulheres violentadas sexualmente diariamente — uma a cada quatro horas e meia no Rio Grande do Sul.


Além dos feminicídios consumados e dos estupros, os dados oficiais revelam uma dimensão ainda mais ampla da violência. Somando feminicídios tentados, feminicídios consumados, ameaças, estupros e lesões corporais, as delegacias gaúchas registraram aproximadamente 854 mil ocorrências de violência contra a mulher ao longo desses 13 anos, evidenciando um cenário persistente e estrutural.


O ano de 2018 foi o mais letal para as mulheres, com 116 feminicídios registrados. Já 2023 apresentou o maior número de estupros da série histórica, com 2.815 casos.

Criado em 2012, o Observatório da Violência contra a Mulher também contabiliza milhares de ocorrências de tentativas de feminicídio, ameaças e agressões com lesão corporal. Os dados deixam clara uma violência contínua, que atravessa mais de uma década.


No campo das políticas públicas, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) foi criada no Rio Grande do Sul em 2011, durante o governo Tarso Genro, extinta em 2015 e recriada em 2025. O período sem a secretaria representou uma lacuna importante na coordenação das ações voltadas às mulheres, impactando a prevenção, a continuidade de programas e o fortalecimento da rede de proteção.


Paralelamente, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul mantém, desde 2011, uma atuação permanente por meio da Frente Parlamentar de Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, voltada especialmente à conscientização dos homens sobre seu papel no enfrentamento à violência de gênero. O trabalho teve início sob a coordenação de Edegar Pretto e, atualmente, segue sob a coordenação do deputado estadual Adão Pretto Filho.


Ao longo desses anos, a Frente tem promovido atividades educativas, campanhas públicas e ações de sensibilização junto aos homens, dialogando em escolas, comunidades, eventos esportivos e espaços públicos, reforçando que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mudança cultural, responsabilidade coletiva e políticas permanentes.


Para o deputado Adão Pretto Filho, os números deixam claro o tamanho do desafio. “A violência contra a mulher é uma epidemia. E epidemias só se enfrentam com investimento contínuo, especialmente na prevenção, na educação e na conscientização da sociedade”, afirma.


Nesse contexto, o parlamentar destaca como avanço a sensibilização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o tema, que colocou o enfrentamento à violência contra as mulheres como prioridade do governo federal.


Na Assembleia Legislativa, Adão Pretto Filho também é autor de uma proposta em tramitação que prevê a inclusão do conteúdo da Lei Maria da Penha nos currículos da rede pública de ensino, como forma de atuar de maneira preventiva desde a infância e a adolescência, promovendo educação para o respeito, a igualdade de gênero e o enfrentamento ao machismo estrutural.


Iniciativas legislativas e de mobilização social adotadas ao longo dos últimos anos — como o uso de tornozeleira eletrônica para agressores, a Lei da Máscara Roxa, campanhas em estádios de futebol e ações de conscientização — tiveram papel relevante para ampliar a visibilidade do tema e fortalecer mecanismos de proteção. Ainda assim, os dados demonstram que o enfrentamento à violência de gênero exige políticas estruturadas, permanentes e articuladas entre Estado e sociedade.


As estatísticas completas podem ser conferidas no site da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul:https://www.ssp.rs.gov.br/indicadores-da-violencia-contra-a-mulher



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