Polícia Civil indicia sete PMs por morte de agricultor em Pelotas
O resultado do inquérito foi apresentado em coletiva em Porto Alegre, após a conclusão de mais de 20 perícias realizadas pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), incluindo uma reprodução simulada da ocorrência
Por Redação JTR

A Polícia Civil indiciou, nesta quarta-feira (9), sete policiais militares pela morte do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, e pela tentativa de homicídio de Raquel Nörnberg, durante uma ação policial na madrugada de 15 de janeiro, na zona rural de Pelotas.
O resultado do inquérito foi apresentado em coletiva em Porto Alegre, após a conclusão de mais de 20 perícias realizadas pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), incluindo uma reprodução simulada da ocorrência. Ao todo, a investigação analisou a atuação de 24 policiais militares. Os nomes dos sete indiciados não foram divulgados.
A versão apresentada inicialmente pelos policiais era de que Marcos teria efetuado disparos contra a equipe, que teria reagido em legítima defesa. Já a análise acústica do IGP, porém, contestou essa narrativa. Segundo eles, o primeiro disparo identificado foi de um fuzil calibre 5,56, utilizado pelos policiais. Antes dele, foram registrados dois sons inicialmente interpretados como possíveis disparos feitos por Marcos. A perícia concluiu que o agricultor não efetuou tiros antes da ação policial.
Foram identificados 14 disparos de fuzil antes de um tiro de carabina, arma atribuída a Marcos. O disparo ocorreu 28 segundos após o primeiro tiro de fuzil. Marcos morreu na propriedade.
Informação equivocada
A operação da Brigada Militar buscava integrantes de uma quadrilha que atuava na região. Segundo a polícia, informações fornecidas por dois suspeitos presos no Paraná levaram os agentes até a propriedade rural, na Estrada da Cascata.
À época, o então comandante-geral da Brigada Militar, Cláudio Feoli, reconheceu que houve um “grande equívoco” na ação.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, que analisarão as conclusões da Polícia Civil e decidirão sobre os próximos passos. O indiciamento não representa condenação dos policiais.



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