Homicídios e roubos caem, mas violência interpessoal cresce na Zona Sul
- há 8 horas
- 2 min de leitura

Foto: Cintia Piegas
Levantamento da UCPel aponta aumento de registros de agressões, perseguições, extorsões e violência psicológica contra mulheres entre 2022 e 2025.
A criminalidade registrada na Zona Sul do Rio Grande do Sul apresentou mudanças significativas nos últimos anos. É o que aponta o Mapa da Violência Zona Sul 2026, elaborado pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), que analisa dados de segurança pública de 29 municípios da região.
O levantamento, que será apresentado nesta terça-feira (1º), compara os registros dos anos de 2022 a 2025, com base em informações da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP). Os dados consideram uma população estimada em 1,09 milhão de habitantes.
De acordo com o estudo, houve queda expressiva em crimes como homicídios, roubos, furtos e roubos de veículos, posse de entorpecentes e crimes relacionados a armas. Por outro lado, aumentaram os registros de violência interpessoal, incluindo perseguição, extorsão, injúria, difamação, maus-tratos e violência contra a mulher.
Homicídios caem 53,9%
Um dos principais destaques positivos do levantamento é a redução dos homicídios. Em 2022, foram registradas 154 vítimas na região. O número caiu para 112 em 2023, 108 em 2024 e chegou a 71 vítimas em 2025, uma redução acumulada de 53,9%.
A queda foi influenciada principalmente pelos números de Pelotas e Rio Grande. No município rio-grandino, os registros passaram de 91 vítimas em 2022 para 17 em 2025. Em Pelotas, a redução foi de 18 para nove vítimas no mesmo período.
Violência psicológica contra mulheres dispara
Enquanto os homicídios apresentam queda, os registros relacionados à violência contra a mulher seguem em sentido contrário.
A violência psicológica contra a mulher foi o indicador que apresentou uma das maiores altas. Na Zona Sul, os registros passaram de 203 casos em 2022 para 693 em 2025, crescimento de 241,6%.
Em Pelotas, foram 72 registros em 2022 e 154 em 2025. Já em Rio Grande, o número passou de 30 para 241 casos.
Outro indicador que apresentou crescimento foi o crime de perseguição, que passou de 566 registros em 2022 para 873 em 2025, alta de 54,2%. Pelotas teve aumento de 174 para 251 ocorrências.
Extorsão e maus-tratos também aumentam
Os casos de extorsão mais que dobraram na região, passando de 149 registros em 2022 para 309 em 2025. Em Pelotas, o número subiu de 51 para 128 ocorrências.
Os registros de maus-tratos também tiveram crescimento significativo: foram 132 casos em 2022 e 356 em 2025, aumento de 169,7%.
Pelotas concentrou parte importante desse crescimento, passando de 64 para 243 registros no período.
Nos casos de estupro de vulnerável, a alta regional entre 2022 e 2025 foi de 18,7%. Em Pelotas, os registros passaram de 113 para 138, enquanto Rio Grande passou de 37 para 64 casos.
Números representam registros oficiais
O coordenador geral do Mapa da Violência, professor Aknaton Toczek Souza, destaca que os dados representam ocorrências registradas pelas autoridades e, portanto, não correspondem necessariamente à totalidade dos crimes cometidos.
O levantamento também aponta que o crescimento de determinados registros pode estar relacionado ao fortalecimento da legislação e ao aumento da disposição das vítimas em denunciar.
A UCPel prevê ainda a atualização dos dados por meio de uma plataforma online, permitindo o acompanhamento dos indicadores de segurança da região.



Comentários