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Fotógrafo pelotense conquista reconhecimento internacional

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Fotografia: Antonio Rocha

Um registro feito de uma mãe no ambiente em que vive com seus filhos, durante um momento cotidiano de amamentação, levou o fotógrafo Antonio Rocha a conquistar reconhecimento internacional. A imagem, produzida em Pelotas durante a campanha Agosto Dourado de 2024, foi premiada no 12º Concurso História e Significado, promovido pela FineArt Association, plataforma que reúne fotógrafos de diversos países.


A fotografia retrata uma mãe amamentando o filho mais novo enquanto acompanha, com o olhar, a outra criança ao seu lado. Entre milhares de inscrições, a imagem esteve entre as poucas reconhecidas pela organização, que premia fotografias capazes de unir qualidade técnica e narrativa.

Em entrevista, Antônio falou sobre a conquista, o significado do registro premiado e a forma como enxerga a fotografia como ferramenta para contar histórias e provocar reflexões.


Uma fotografia que nasceu da realidade

Segundo o fotógrafo, a imagem premiada surgiu durante um projeto da Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas voltado ao incentivo da amamentação. Diferentemente da edição anterior, realizada em um ambiente montado, o fotógrafo  propôs registrar cada mãe no espaço onde vive, valorizando a realidade de cada família.


"Havia sido sugerido que as mães fossem até a biblioteca pública, só que era um ambiente diferente da realidade né? Havia um contraste ali que pra mim não formava aquela imagem, faltava algo. Pra mim foi uma ideia impactante ir até a casa dessas lactantes [...] Visitamos mais de 10 mães, podemos ver onde elas moram e registrar elas amamentando, esse ato de amor"


Para António, foi justamente essa aproximação com o cotidiano que deu força à fotografia, permitindo que o registro transmitisse autenticidade e sensibilidade.


O valor dos momentos simples

Ao longo da entrevista, Antônio destacou que a fotografia vai muito além da técnica. Para ele, imagens marcantes costumam nascer de momentos comuns, mas carregados de significado, capazes de despertar sentimentos e identificação em quem observa.


O fotógrafo acredita que cenas do dia a dia, muitas vezes despercebidas pela correria da rotina, têm o poder de contar histórias profundas quando registradas com sensibilidade.


“Estudo até hoje intensamente [...] E foi o que me trouxe mais humanidade né. Me reconectou mais com a minha base, que são marcas que eu procuro sempre imprimir no meu trabalho que é a simplicidade, o poder do ordinário. A vida tem coisas muito simples que as vezes tem um valor enorme, e a gente esquece de olhar para elas”


Segundo ele, mais importante do que produzir uma imagem bonita é criar uma fotografia que dialogue com as pessoas, sociedade e desperte reflexão.


"A arte gera mudança, estamos cada vez mais adormecidos sobre sociedade, vemos cada vez mais as pessoas se afastando, cada vez mais polarizadas sobre a arte diária"


Quinze anos dedicados à fotografia

Natural de Santa Maria, Antônio deixou a carreira na área administrativa para se dedicar integralmente à fotografia. Hoje, ao lado da esposa e também fotógrafa Renata Dalbann, completa 15 anos de atuação registrando famílias, projetos sociais e ensaios documentais na região.


Nesse período, acumulou centenas de reconhecimentos em concursos especializados, além de narrativas fotográficas premiadas em diferentes países. Para ele, participar dessas avaliações internacionais é uma forma de compreender se o trabalho consegue comunicar emoções para além dos aspectos técnicos.


Antônio afirma que o reconhecimento internacional representa mais do que um prêmio. É a confirmação de uma trajetória construída com estudo, dedicação e a convicção de que a fotografia pode sensibilizar pessoas e transformar a maneira como elas enxergam o mundo.


Fotógrafos em Pelotas

Antônio também destacou a importância da união entre os fotógrafos pelotenses e do papel social exercido pela fotografia. Embora reconheça que o mercado seja competitivo, ele defende que a disputa por espaço e por premiações deve acontecer de forma saudável, respeitosa e baseada na valorização do trabalho de cada profissional.


Para o fotógrafo, cada olhar é único e cada imagem carrega uma forma diferente de contar histórias, contribuindo para revelar o mundo sob novas perspectivas e reforçando o valor da arte produzida por cada fotógrafo. 


Texto: Pedro de Campos


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