Formação para educadores sociais de abrigos começa em Pelotas
- aalineklug
- 16 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
Educadores sociais que atuam nas unidades de acolhimento institucionais da Prefeitura de Pelotas começaram a passar por um novo ciclo de formação. O trabalho começou pela Casa do Carinho, com uma roda de conversa, promovida por uma parceria entre a Secretaria de Assistência Social (SAS) e o curso de Serviço Social da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
A Casa do Carinho, atualmente, abriga 16 crianças e adolescentes, com idades entre três e dezesseis anos. A equipe é integrada por uma coordenadora, que é assistente social, uma cozinheira, duas pessoas que cuidam da limpeza do local, uma psicóloga, uma assistente social e 17 educadoras. Por funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, a equipe se reveza para que todos os dias e turnos estejam cobertos. A formação vai se estender durante o segundo semestre de 2025, com a participação de professores da UCPel.
O projeto de formação elaborado pela parceria, pretende qualificar o atendimento prestado aos educadores sociais, para que se tenha a melhor atuação possível, “competente e comprometida, norteada por princípios éticos”, para que se possa garantir os direitos de crianças, adolescentes e todas as pessoas em situação de acolhimento institucional.
A professora do curso de Serviço Social, Mara Medeiros, que coordena a formação, explica que o curso será ministrado em cada um dos abrigos, para facilitar a participação de cada grupo de servidores, sem prejudicar o atendimento às crianças. A primeira conversa foi sobre como resolver situações de crise ou conflitos, seja entre as crianças ou com as educadoras. A coordenadora da unidade, Luana Farias, explica que as educadoras chegam sem formação, por isso essa parceria é importante, para que aprendam a se relacionar de maneira correta com as crianças, e que entendam que a punição não é a melhor saída para as situações de conflito, como brigas ou manhas, para que o abrigo seja, de fato, um local de proteção, e não de punição.
A professora foi acompanhada de duas profissionais da Universidade, a psicóloga do Núcleo de Apoio ao Estudante, Joice Batista, e a responsável pelo Atendimento Educacional Especializado, Ane Dias. Ane levou a experiência entre as relações com pessoas com deficiência ou transtornos, como autismo ou TDAH, nas atividades diárias, e a identificar a causa das crises. Joice falou sobre a importância de se colocar ao lado da criança.
Para a educadora social, Rosimara Lopes, as capacitações acrescentam em qualidade de vida para as crianças, pois elas vão participar e procurar colocar em prática o que aprendem. Sobre o encontro, ela destacou a proposta de compartilhar as dificuldades e aprendizados com cada criança, pois as crianças encontram afinidades com diferentes profissionais e, com as dicas, outras podem aprender como se aproximar.
Durante o desenvolvimento do curso serão abordados temas como rotinas de cuidado e importância do diálogo, formação de vínculos em serviços de acolhimento, a materialização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no dia a dia das instituições, a prevenção e intervenção em situações cotidianas, a comunicação não violenta, a construção de projetos individuais e coletivos para o processo de autonomia.
A professora de Serviço Social destaca que para que os serviços de acolhimento funcionem como devem, os espaços devem ser acolhedores, com estrutura física e material, e com equipes completas e qualificadas para desenvolverem as ações de proteção social previstas no Sistema Único de Assistência Social (Suas) e na legislação referente à proteção à criança e ao adolescente, como o ECA.





Comentários