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Fim da escala 6×1 mobiliza trabalhadores e empregadores em Pelotas

  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Comissão especial deve analisar o texto no início da semana e, em seguida, encaminhá-lo ao plenário


Por Jornal Tradição Regional

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que pretende colocar em votação, na próxima semana, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. Segundo ele, a comissão especial deve analisar o texto no início da semana e, em seguida, encaminhá-lo ao plenário. Em Pelotas, a proximidade da votação divide opiniões e mobiliza trabalhadores e empregadores, que disputam espaço na opinião pública.


A partir de segunda-feira (25), as quatro maiores centrais sindicais do país — Central dos Sindicatos Brasileiros, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores — iniciam uma mobilização na cidade em defesa da proposta.


A programação prevê dois dias de panfletagens e atos em diferentes bairros e setores econômicos. “Na segunda-feira, cada sindicato fará um trabalho voltado para o seu segmento e, na terça, realizaremos uma ação conjunta, percorrendo o centro e os bairros para conversar com a população, de porta em porta e de empresa em empresa”, explica o vice-presidente nacional da CSB e presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pelotas, Claudiomiro do Amaral.


Divisão entre trabalhadores e empregadores

A proposta, que prevê jornada semanal de 40 horas e o fim da escala 6×1, colocou representantes patronais e sindicatos de trabalhadores em posições opostas. Para os trabalhadores, dois dias de folga semanais significam mais saúde, tempo para a família e lazer, refletindo em maior produtividade. Já os empregadores argumentam que a mudança pode provocar prejuízos, desemprego e aumento nos preços de mercadorias e serviços.


“O país não atravessa uma situação econômica favorável para diminuir a jornada de trabalho. Isso vai acarretar prejuízos ou dificuldades para quem produz, e esse custo será repassado para a população”, afirma o presidente do Sindicato dos Lojistas de Pelotas e dirigente da Fecomércio-RS, Renzo Antoniolli.


Segundo Antoniolli, setores que hoje operam na escala 6×1 poderão reduzir postos de trabalho. “Achamos que, no decorrer do tempo, essas pessoas vão perder cargos e oportunidades, sendo substituídas por funcionários que aceitem ganhar menos”, declara.


A presidente da Associação Comercial de Pelotas, Elisa Gioielli, reconhece os impactos positivos da redução da jornada, mas defende implantação gradual e medidas de apoio às empresas.


“A mudança deve ocorrer de forma planejada, permitindo adaptação dos setores produtivos. Incentivos fiscais, apoio às pequenas empresas e avaliação contínua dos impactos econômicos seriam fundamentais para garantir equilíbrio entre valorização do trabalhador, competitividade empresarial e manutenção dos empregos”, argumenta.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Pelotas, Célio Vieira, rebate os argumentos patronais e cita exemplos de convenções coletivas em Santa Catarina e São Paulo. “O impacto é positivo na produção e na qualidade dos serviços, além de melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores”, diz.


Vieira afirma ainda que as mulheres, maioria entre os cerca de 9 mil trabalhadores do comércio local, seriam as principais beneficiadas. “As mulheres sempre trabalham em dupla jornada, então ter um dia a mais de folga será muito importante para descanso e convivência familiar”, comenta.


Construção civil também debate mudanças

No setor da construção civil, que emprega cerca de 8 mil trabalhadores diretos em Pelotas, o debate também divide opiniões. Empresários defendem liberdade para negociação das jornadas conforme as necessidades de cada atividade, enquanto trabalhadores argumentam que a redução da carga horária melhorará diretamente a qualidade de vida.


“Modernizar as relações de trabalho é importante, mas isso precisa ocorrer com diálogo, segurança jurídica e negociação entre empregadores e trabalhadores, respeitando as realidades de cada setor produtivo”, afirma Marcos Fontoura, presidente do Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário.


Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário de Pelotas, Dário Vilela dos Santos, defende a redução da jornada diante do desgaste físico da categoria.


“Os profissionais da construção civil e do mobiliário exercem atividades extremamente desgastantes, com longos deslocamentos, esforço físico intenso e elevada pressão diária. A redução da carga horária semanal garantirá mais tempo de recuperação física e mental”, concluiu.

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