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Fim da concessão é marcado por protestos e comemorações em diferentes praças de pedágio na região

  • há 2 dias
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A Ecovias Sul encerrou suas atividades à meia-noite de terça-feira (3) e, com isso, terminou a cobrança de pedágios nos 452,5 km do Polo Rodoviário de Pelotas


Por Álvaro Guimarães / JTR

Foto: Álvaro Guimarães
Foto: Álvaro Guimarães

A Ecovias Sul encerrou suas atividades à meia-noite de terça-feira (3) e, com isso, terminou a cobrança de pedágios nos 452,5 km do Polo Rodoviário de Pelotas. As horas que antecederam a abertura das cancelas foram marcadas por uma manifestação política organizada pelo movimento sindical e que reuniu aproximadamente 250 pessoas nas proximidades da praça de pedágio do Retiro, na BR-116. Em Rio Grande, na praça do Capão Seco, também ocorreu manifestação semelhante. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Brigada Militar acompanharam os atos e nenhum incidente foi registrado.


O vereador pelotense Ronaldo Quadrado (PT) explicou que o ato foi organizado por causa da importância da data para as comunidades da região que, durante quase três décadas, se mantiveram mobilizadas contra os preços praticados pela concessionária. “Foram quase 30 anos de exploração, que emperrou o crescimento da nossa região e essas entidades, que estão aqui esta noite, lutaram por todo esse tempo denunciando esse pedágio e, agora, que o governo federal decidiu encerrar o contrato temos que celebrar”, disse.


Desde o início da noite representantes de entidades sindicais, movimentos sociais, lideranças políticas e moradores de localidades próximas se reuniram em pontos antes e depois da praça do Retiro. No alto do caminhão de som sindicalistas, líderes sociais e políticos se revezaram discursando sobre o final do pedágio mais caro do país.


“Foram muitos anos tentando questionar esse pedágio,estudos foram feitos pelo Tribunal de Contas da União, ações civis e muitas manifestações, mas nunca conseguimos superar aquele contrato feito de maneira, vamos dizer assim, completamente fora do contexto, pois o Brasil não tinha experiência em fazer concessões, às agências reguladoras sequer existiam. Então são 28 anos de algo que até hoje a gente não aceitou aqui na região e se tornou de fato o pedágio mais caro entre as rodovias federais do Brasil. Agora vamos poder superar isso e ajudar a construir uma nova concessão com outros parâmetros em uma modelagem diferente”, declarou o deputado estadual Zé Nunes (PT), presidente da Frente Parlamentar contra os Pedágios no Rio Grande do Sul.


A expectativa de Nunes – baseada em informações que obteve no Ministério dos Transportes – é de que o edital da nova licitação deve ser publicado no início do segundo semestre, o que abriria a possibilidade de uma nova concessionária assumir o Polo Rodoviário de Pelotas ainda em 2026.


O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto (PT), esteve nas duas manifestações e frisou que o governo federal busca estabelecer um novo modelo mais justo para o sul do estado. “A nossa compreensão é que esse modelo está ultrapassado e é preciso uma nova modelagem. Estamos empenhados para que essa licitação saia ainda em 2206, porém defendemos que nada pode ser feito no afogadilho, é preciso que se leve o tempo necessário para que tudo seja analisado na minúcia e se chegue ao melhor modelo para as comunidades da região”, pontuou.


Solidariedade com os trabalhadores

Enquanto as lideranças se revezavam nos discursos e o público esperava o momento da abertura das cancelas, uma equipe de 150 funcionários da Ecovias cumpriu seu último turno de serviço, como se fosse outra noite qualquer, até o último minuto.


A preocupação com a reinserção dos 640 trabalhadores da empresa no mercado de trabalho foi ressaltada por líderes do movimento sindical como o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil e Mobiliário de Pelotas e dirigente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Dercirio Júnior, que provocou todos os sindicatos a colocarem suas estruturas à disposição dos trabalhadores para ajudá-los à voltarem ao mercado.


“Sabemos que, apesar de ser um dia de celebração para as comunidades da região, é triste para os trabalhadores que estão perdendo seus empregos, por isso estamos colocando nosso sindicato à disposição para cadastrar esses trabalhadores e ajudá-los a voltar ao mercado de trabalho, pois temos certeza de que o maior patrimônio que a Ecovias tinha não eram suas máquinas ou prédios, mas sim seus trabalhadores”, declarou.


Abertura das cancelas

Pouco antes da meia noite, sob supervisão da PRF, os manifestantes se colocaram diante da praça de pedágio e realizaram uma contagem regressiva até a abertura das cancelas. De um lado gritos, palmas e palavras de ordem, do outro queima de fogos. Entre os dois grupos, os trabalhadores da Ecovias encerraram o turno de trabalho recolhendo equipamentos, materiais e trancando os prédios.


Com as passagens abertas, o trânsito – que até então estava muito abaixo do normal – voltou a fluir, com muitos caminhões passando sem pagar e buzinando para comemorar o final da cobrança.


A partir de agora a passagem dos veículos será feita pelas pistas automáticas nos dois sentidos, enquanto a administração das rodovias passa ser responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).


Com o encerramento das atividades da Ecovias Sul, também,será desativada a linha 0800 de socorro e atendimento aos usuários. A partir de agora motoristas com problemas devem acionar a PRF pelo 191. Em caso de acidentes com feridos, o atendimento será feito pelo Samu e Corpo de Bombeiros.


Audiências públicas

O Ministério dos Transportes marcou para os dias 12 e 18 de março, às 14h, as duas primeiras audiências públicas para discutir o novo modelo de pedágio para o Polo Rodoviário de Pelotas. A primeira ocorre em Brasília e a segunda, em Pelotas. Os locais ainda não foram definidos.


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