Estiagem reduz produtividade do feijão e do milho no RS, aponta Emater
- Jean Pierre Knepper
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A produtividade média estadual está estimada em 1.779 quilos de feijão por hectare
Por Assessoria de Imprensa

As chuvas registradas na primeira quinzena de dezembro no Rio Grande do Sul melhoraram as condições de umidade do solo, favoreceram parte das lavouras de verão e amenizaram o déficit hídrico das pastagens, embora não tenham sido suficientes para reverter perdas já consolidadas em culturas como o feijão e o milho, segundo o Informativo Conjuntural divulgado em 18 de dezembro pela Emater/RS-Ascar.
Para o feijão da primeira safra, a Emater/RS-Ascar projeta o plantio de 26.096 hectares. A maior parte das regiões produtoras já concluiu a semeadura, restando áreas nos Campos de Cima da Serra, principal polo do cultivo nesse período. As lavouras apresentam diferentes estádios fenológicos, mas a estiagem prolongada provocou perdas irreversíveis na produtividade e na qualidade dos grãos. A produtividade média estadual está estimada em 1.779 quilos por hectare.
As adversidades climáticas causaram abortamento de flores e queda de vagens em formação, especialmente em lavouras que ingressavam na fase reprodutiva. Embora o estado fitossanitário seja considerado satisfatório, o período seco favoreceu a ocorrência pontual de ácaros, exigindo controle químico. Ainda assim, há risco de perdas significativas na safra.
Na região administrativa de Pelotas, foram retomados os plantios escalonados voltados ao autoconsumo. As lavouras apresentam distribuição heterogênea dos estádios fenológicos, com 41% em desenvolvimento vegetativo, 26% em florescimento, 27% em enchimento de grãos, 5% em maturação e 1% já colhido. Em Soledade, as chuvas não reverteram os prejuízos provocados pelo período seco associado às altas temperaturas, especialmente em áreas de solos rasos e compactados. Já em Santa Maria, cerca de 80% da cultura encontra-se na fase reprodutiva, com 15% colhidos e rendimento médio estimado em 1.414 quilos por hectare.
No caso do arroz, a semeadura está em fase final no Estado. Restam menos de 5% da área projetada pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga), estimada em 920.081 hectares. O retorno das chuvas foi decisivo para a germinação em áreas recém-semeadas, reduzindo a necessidade de irrigação inicial e favorecendo a consolidação da lâmina contínua. As precipitações também contribuíram para a recomposição de mananciais, reservatórios e cursos d’água, ampliando a disponibilidade hídrica. A produtividade média da cultura é estimada em 8.752 quilos por hectare. De modo geral, o estabelecimento das lavouras é considerado satisfatório, apesar de registros pontuais de alagamentos e danos em taipas.
A semeadura da soja foi retomada em todo o Estado, alcançando 89% dos 6,74 milhões de hectares previstos. As lavouras estão majoritariamente em desenvolvimento vegetativo. As chuvas permitiram a recuperação fisiológica de áreas implantadas em outubro e novembro, que apresentavam sintomas de estresse hídrico após um período seco de duas a três semanas. O escalonamento do plantio, provocado pela irregularidade das chuvas, é avaliado como fator de redução de risco produtivo diante da possibilidade de novas estiagens associadas ao fenômeno La Niña.
As lavouras de milho apresentam cenário heterogêneo, condicionado pela irregularidade das precipitações. O déficit hídrico afetou áreas em pré-florescimento e enchimento inicial de grãos, reduzindo o potencial produtivo, sobretudo em lavouras de sequeiro. Embora as chuvas recentes tenham favorecido a recomposição parcial da umidade do solo, a reversão das perdas já estabelecidas é limitada. Atualmente, 90% dos 785.030 hectares projetados estão semeados, com produtividade média estimada em 7.370 quilos por hectare.
No milho destinado à silagem, a situação se estabilizou após as chuvas, embora a recomposição hídrica ainda seja parcial. As áreas mais precoces começaram a ser colhidas. A Emater/RS-Ascar estima área de 366.067 hectares e produtividade média de 38.338 quilos por hectare. Em Erechim, toda a área está plantada, com predomínio de lavouras em pendoamento e espigamento.
As pastagens, tanto nativas quanto cultivadas, apresentaram melhora na oferta e na qualidade em razão das chuvas e da elevação das temperaturas. O crescimento das forrageiras de verão foi retomado, assim como implantações que estavam atrasadas pela falta de umidade. Áreas implantadas mais tardiamente receberam adubação e tendem a responder positivamente para pastejo, produção de feno e sementes.
Na bovinocultura de corte, a condição corporal e sanitária dos rebanhos é considerada adequada. Os entouros e protocolos de inseminação artificial seguem em andamento.
O mercado de animais para abate permanece aquecido, impulsionado pelo aumento do consumo de carnes de maior valor agregado neste período do ano.
Já na ovinocultura, os rebanhos apresentam bom escore corporal e sanidade controlada. Os produtores concentram-se no desmame e no manejo dos cordeiros, além de ações preventivas contra parasitas. A proximidade das festas de fim de ano elevou a demanda por carne ovina, contribuindo para o aumento da renda nas propriedades.





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