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Embrapa inaugura dois laboratórios e lança hub de inovação voltado à cadeia do leite

  • deborasaraivajv
  • 13 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

A Embrapa Clima Temperado inaugurou na última quinta-feira (10), com a presença da presidente da empresa, Silvia Massruhá, dois novos laboratórios voltados à cadeia leiteira: o Laboratório de Pesquisa e Análises em Cromatografia Avançada (Labcromato) e o Laboratório de Campo do Leite (Labcampo). As estruturas são fruto de parceria com o Ministério da Agricultura, por meio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Sul (LFDA/RS), e receberam investimentos de R$ 10 milhões provenientes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDDD), dentro do programa Leite Seguro.


Durante o evento, foi também lançado o Hub de Inovação do Leite, rede colaborativa entre instituições públicas e privadas que visa acelerar a inovação tecnológica na pecuária leiteira. A iniciativa integra o Sistema de Pesquisa e Desenvolvimento em Pecuária Leiteira (Sispel), sediado na Estação Experimental Terras Baixas (EETB), em Capão do Leão, que completará 30 anos em 2026.


Segundo o chefe geral da Embrapa Clima Temperado, Waldyr Stumpf Júnior, o laboratório de cromatografia permitirá análises mais qualificadas não apenas em leite, mas também em outros alimentos. “Essas análises terão impacto direto junto a produtores e indústrias”, afirmou.


Já o Labcampo será voltado à pesquisa com animais, permitindo avanços em áreas como alimentação, nutrição, reprodução, manejo e comportamento, com foco em animais da raça Jersey. “Estamos entregando estruturas que qualificarão sistemas de produção e soluções tecnológicas, beneficiando produtores pequenos, médios e grandes, além da indústria”, disse Stumpf.


O coordenador do LFDA/RS, Fabiano Barreto, destacou o esforço coletivo por trás do projeto. “Estamos vendo uma estrutura visível que representa muito trabalho invisível de muitas pessoas”, afirmou. Segundo ele, a nova estrutura já apresenta resultados concretos e tem potencial de longo prazo.


Também foi assinado um protocolo de intenções entre a Embrapa, a Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário Edmundo Gastal (Fapeg) e a Fundação de Capacitação e Desenvolvimento (Funcap), com foco em qualificar a produção leiteira na região Noroeste do Rio Grande do Sul com base em boas práticas agropecuárias.


Leite Seguro

Criado em 2019, o programa Leite Seguro é uma parceria entre a Embrapa Clima Temperado, o LFDA/RS e diversos outros parceiros. De acordo com a pesquisadora Maira Zanella, integrante do comitê gestor, o projeto já acompanhou 203 propriedades leiteiras, envolvendo 24 bolsistas e pesquisadores de áreas como agronomia, veterinária, zootecnia e cromatografia.


Mais de 10 mil produtores foram beneficiados com ações de capacitação e transferência de tecnologia. Pela primeira vez, o projeto também envolveu ações voltadas ao consumidor. “Trabalhamos com mais de cinco mil crianças por meio do projeto Caminho do Leite, explicando todo o processo de produção, da ordenha à chegada do leite à mesa do consumidor”, afirmou Zanella.


Estrutura dos laboratórios

Labcampo – Equipado com instalações tipo Compost Barn e Free Stall, o laboratório permite a execução de pesquisas em nutrição, reprodução, saúde, comportamento animal e bem-estar. Conta com sala de ordenha, espaço para capacitação técnica e estrutura adequada para o desenvolvimento de estudos multidisciplinares.

Labcromato – Com equipamentos de ponta como os espectrômetros LC-Q-TOF e LC-MS/MS, o laboratório amplia a capacidade analítica da Embrapa em pesquisa com resíduos e contaminantes em leite, carne, grãos, vinhos e água. Também realiza análises de compostos nutracêuticos, medicamentos veterinários e validação de kits rápidos usados pela indústria láctea.


A pesquisadora Rosangela Barbosa, responsável técnica pelo Laboratório de Qualidade do Leite (Lableite), destacou que o espaço completa 20 anos em outubro. “Estamos desenvolvendo pesquisas com aflatoxinas, corantes naturais e folatos produzidos por bactérias lácteas, com foco em seu efeito nutracêutico na produção de queijos”, disse. Segundo ela, o laboratório, embora vinculado ao Lableite, pode atender a diferentes cadeias produtivas. “Na cadeia leiteira, por exemplo, a mastite é a principal doença do rebanho, e os produtores precisam saber qual medicamento aplicar e como monitorar os resíduos no leite. O laboratório está à disposição para essas análises”, afirmou.


Créditos: Luciara Schneid/JTR

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