Em Capão do Leão, ministra apresenta Plano Safra com R$ 18 bilhões previstos para o RS
Para o custeio da produção de alimentos, a taxa de juros passa a ser de 2% ao ano, enquanto produtores que adotarem técnicas orgânicas ou agroecológicas chegarão a 1%
Por JTR

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, participou da reunião do Fórum da Agricultura Familiar e da apresentação do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, realizada nesta quinta-feira (6), na Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Campus Capão do Leão. A meta do governo federal é ampliar de R$ 14 bilhões para R$ 18 bilhões o volume de recursos contratados pelo Pronaf no Rio Grande do Sul. Entre os temas abordados estão crédito, medidas de adaptação às mudanças climáticas e fortalecimento do seguro rural.
Segundo a ministra, o Estado historicamente concentra cerca de 23% dos financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) em todo o país. Para a próxima safra, a intenção do governo federal é ampliar a participação gaúcha, considerando a relevância da agricultura familiar na produção de alimentos.
Fernanda ressaltou a importância da Zona Sul na produção de alimentos como arroz, pêssego, leite e derivados, feijão e hortaliças. Embora não exista uma estimativa antecipada de quanto dos recursos será destinado especificamente à região, a ministra afirmou que os agricultores familiares que buscarem financiamento terão os recursos disponíveis para atender à demanda.
Um dos principais eixos apresentados foi a redução das taxas de juros. Para o custeio da produção de alimentos, a taxa passa a ser de 2% ao ano, enquanto produtores que adotarem técnicas orgânicas ou agroecológicas poderão acessar crédito com juros de 1% ao ano.
Também foram anunciadas condições diferenciadas para investimentos. Máquinas e implementos agrícolas de maior porte terão taxa de 5% ao ano, enquanto equipamentos de menor valor terão juros reduzidos para 2% ao ano. De acordo com a ministra, a medida busca ampliar o acesso à tecnologia, aumentar a produtividade e reduzir a carga de trabalho no campo.
Adaptação às mudanças climáticas
A ministra também destacou que a política agrícola precisa considerar os impactos provocados pelas mudanças climáticas, especialmente no Rio Grande do Sul, que nos últimos anos enfrentou estiagens, chuvas intensas e enchentes.
Entre as estratégias apresentadas está o fortalecimento da assistência técnica voltada à adaptação climática, com incentivo a práticas que mantenham o solo protegido e reduzam a perda de matéria orgânica durante chuvas intensas. “Para isso, a gente precisa ter o solo coberto. A gente precisa ter o solo com níveis para evitar que uma chuva leve toda a matéria orgânica lá para o rio, para o lago”, comenta.
Segundo Fernanda, o governo também pretende ampliar investimentos em mecanização, tecnificação e tecnologias capazes de reduzir os impactos dos eventos climáticos sobre a produção.
Outro mecanismo citado foi o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que oferece proteção aos agricultores em caso de perdas decorrentes de eventos climáticos. A ministra afirmou que, além da redução das taxas do Pronaf, o governo também reduziu as alíquotas do seguro para facilitar a adesão dos agricultores familiares.
Produção de arroz e segurança alimentar
Diante das perspectivas climáticas para o próximo período, a ministra anunciou ainda medidas para garantir o abastecimento de alimentos. Entre elas está a compra de 300 mil toneladas de arroz, que serão destinadas à formação de estoques públicos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo Fernanda, a medida deve contribuir para a formação de um estoque de aproximadamente 600 mil toneladas, equivalente a cerca de 5% do consumo anual brasileiro, como forma de evitar grandes oscilações nos preços. “Vamos apoiar os produtores de arroz aqui no Estado”, afirma a ministra, destacando a importância da cultura para a agricultura familiar gaúcha.
Fernanda também defendeu o fortalecimento das compras públicas de alimentos produzidos pela agricultura familiar, como estratégia para garantir mercado aos produtores e, simultaneamente, ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis.
Mulheres e jovens no campo
Outro ponto abordado foi a permanência de mulheres e jovens no meio rural. A ministra destacou o aumento do acesso das mulheres ao crédito e anunciou condições específicas para a juventude, com o objetivo de estimular a sucessão rural. A política apresentada busca criar condições para que os jovens tenham possibilidade de permanecer nas propriedades familiares, gerar renda e desenvolver atividades produtivas.
A ministra também destacou medidas voltadas a públicos específicos da agricultura familiar, como assentados, povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Segundo ela, o governo pretende ampliar o acesso ao crédito e fortalecer a capacidade produtiva dessas comunidades, além de garantir condições para a permanência nos territórios tradicionais.



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