Cotribá enfrenta crise financeira e anuncia novo CEO em meio a plano de reestruturação
- deborasaraivajv
- 18 de set. de 2025
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O executivo tem experiência no setor financeiro, com passagens pelo Banco do Brasil e pelo Badesul, além de atuação acadêmica

A Cotribá, considerada a cooperativa mais antiga do Brasil, vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória. Com sede em Ibirubá, no interior do Rio Grande do Sul, a entidade anunciou recentemente um processo de reestruturação diante de dívidas milionárias e dificuldades para honrar compromissos de curto prazo.
Segundo informações divulgadas pela própria cooperativa, o passivo imediato chega a cerca de R$ 100 milhões, com prazos de vencimento de até 30 dias. Associados relatam atrasos nos pagamentos pela entrega da soja desde maio, em alguns casos sendo feitos de forma parcelada. A situação também impactou fornecedores e parceiros comerciais, gerando apreensão na região.
Mudança na gestão
Em meio ao cenário de crise, a Cotribá anunciou a chegada de Luís Felipe Maldaner como novo CEO. O executivo tem experiência no setor financeiro, com passagens pelo Banco do Brasil e pelo Badesul, além de atuação acadêmica. A escolha busca trazer maior profissionalização à administração e fortalecer a governança no processo de recuperação.
O Conselho de Administração e um Comitê de Reestruturação estão conduzindo as medidas emergenciais, que incluem venda de ativos – como unidades de recebimento de grãos, postos de combustíveis e parte da rede de armazéns – para gerar liquidez e manter as atividades essenciais.
Desafios pela frente
Entre os principais desafios estão a necessidade de recuperar a confiança dos associados, renegociar prazos com credores e ajustar a estrutura interna, reduzindo custos e priorizando áreas estratégicas. O momento exige, ainda, maior transparência na comunicação com o quadro social e parceiros, condição considerada fundamental para restabelecer a credibilidade da marca Cotribá.
Importância regional
Fundada em 1911, a Cotribá tem grande relevância no agronegócio gaúcho. São 9,5 mil associados, cerca de 1.112 funcionários e mais de 30 mil clientes ativos, com negócios que vão além da agricultura, incluindo supermercados, lojas agropecuárias, postos de combustíveis e indústria de rações.
Diante desse peso econômico e social, a expectativa é que a cooperativa consiga superar a crise e preservar seu papel histórico de apoio ao produtor rural. O sucesso do plano de recuperação será decisivo não apenas para os cooperados, mas também para a economia regional, que tem na Cotribá uma de suas principais referências.
Foto: Reprodução





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