Coordenador da UFPel é denunciado por racismo após usar expressão “turma da senzala”
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Caso envolve duas servidoras negras e é apurado pela universidade; uma delas registrou boletim de ocorrência nesta quarta-feira (2)
Por Redação JTR

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apura uma denúncia de racismo contra o coordenador do curso de Gestão Ambiental após uma troca de e-mails institucionais iniciada na segunda-feira (31). Segundo o relato, o servidor teria usado a expressão “turma da senzala” em uma mensagem relacionada a demandas administrativas.
Duas servidoras públicas negras teriam sido envolvidas no episódio. Uma delas, que recebeu o e-mail, relatou o caso e registrou um boletim de ocorrência online na Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (2).
De acordo com a polícia, como o registro foi feito pela internet, ainda não há um delegado responsável pela investigação.
O caso também foi divulgado pelo Movimento de Resistências UFPRETA. Segundo a entidade, a expressão utilizada faz referência ao período da escravidão e configura violência racial contra as servidoras.
O movimento pediu à Reitoria da UFPel a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), o afastamento cautelar do servidor da coordenação do curso e a apuração dos fatos. Também defende que, se forem identificadas responsabilidades, o caso seja encaminhado às autoridades competentes.
UFPel acionou protocolo interno
A UFPel informou que tomou conhecimento da denúncia na terça-feira (1º) e acionou o fluxo previsto na Política Bem Viver UFPel, voltada à prevenção e ao combate às violências no ambiente universitário.
Segundo a universidade, foram acionadas as instâncias responsáveis pelo acolhimento, pela apuração e pelo encaminhamento do caso, entre elas a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe).
O procedimento prevê que a denúncia seja inicialmente analisada pelo Gabinete da Reitoria. Conforme a avaliação, o caso pode ser encaminhado à Comissão Permanente de Processos Administrativos Disciplinares (CPPAD), responsável pela condução dos procedimentos administrativos cabíveis.
A universidade não informou quais medidas específicas foram adotadas em relação ao servidor citado na denúncia.
Em nota, a UFPel afirmou que não tolera práticas racistas e que mantém o compromisso com o enfrentamento às violências e com a construção de um ambiente universitário livre de discriminação.
A instituição informou ainda que, devido ao caráter sigiloso dos procedimentos administrativos, não pode divulgar detalhes sobre as medidas ou os encaminhamentos adotados.
Leia a nota na íntegra:
“Comunicado: UFPel aciona Política Bem Viver em caso de racismo
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) acionou, na noite desta terça-feira (1º), o fluxo previsto na Política Bem Viver UFPel: Prevenção e Combate às Violências, após tomar conhecimento de um caso de racismo envolvendo integrante da comunidade universitária.
Para viabilizar o acolhimento, a apuração e o encaminhamento do caso, a Universidade acionou as instâncias responsáveis, incluindo a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), e deu início aos procedimentos institucionais previstos pela Política Bem Viver para situações de racismo e outras formas de violência.
A UFPel não tolera práticas racistas em seus espaços e reafirma seu compromisso com o enfrentamento às violências e com a construção de um ambiente universitário seguro, democrático e livre de violências.
Em razão do caráter sigiloso dos procedimentos administrativos em andamento, a Universidade não pode divulgar informações sobre as medidas ou encaminhamentos específicos adotados no caso.
A UFPel seguirá acompanhando o caso e adotando as providências cabíveis, de acordo com a legislação e com os procedimentos institucionais estabelecidos pela Política Bem Viver.”



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