Carreta envolvida em acidente na BR 116 estava a quase 100 km/h aponta tacógrafo da PRF
- Jean Pierre Knepper
- 5 de jan.
- 2 min de leitura
O sinistro foi registrado no quilômetro 491 da rodovia, em trecho com obras
Por Assessoria de Imprensa

Dados do cronotacógrafo extraídos pela Polícia Rodoviária Federal indicam que ambos os veículos, envolvidos no acidente que vitimou 11 pessoas em Pelotas na última sexta-feira (2), trafegavam entre 95 km/h e 100 km/h momentos antes da colisão. A velocidade representa mais do que o dobro do limite de 40 km/h estabelecido para o trecho devido às obras. A colisão frontal entre a carreta carregada com areia e o ônibus da empresa Santa Silvana na BR-116, deixou ainda 12 feridos. O sinistro foi registrado no quilômetro 491 da rodovia, em trecho com obras. É esperado que a perícia e o início do inquérito sejam estabelecidos nos próximos dias.
O acidente começou quando um caminhão ficou imobilizado na pista após ser bloqueado eletronicamente pelo sistema de rastreamento via GPS. Diferente de uma pane mecânica, o bloqueio travou as rodas do veículo e impediu sua remoção imediata. O desbloqueio do sistema pode levar até 40 minutos e exige a retirada do eixo cardan e a desmobilização do freio.
Equipes da concessionária Ecovias Sul sinalizaram o local, mas uma fila de veículos já havia se formado. O motorista da carreta, segundo seu próprio relato feito durante o resgate, manuseava o rádio do veículo e não percebeu o congestionamento à frente. Ao tentar desviar, invadiu a pista contrária e colidiu com o ônibus que seguia de Pelotas para São Lourenço do Sul.
O impacto fez a carreta tombar parcialmente. Toda a carga de areia foi lançada para dentro do ônibus, invadido pela frente. O material avançou até aproximadamente o banco 13 e soterrou passageiros. Algumas vítimas morreram soterradas. Outras ficaram presas sob a areia ainda com vida, o que tornou o resgate extremamente delicado.
O atendimento mobilizou grande força-tarefa e durou quase 11 horas, das 11h25 às 22h15. Foram utilizados 17 veículos da Ecovias Sul, incluindo ambulâncias, guinchos pesados, retroescavadeira e viaturas operacionais. Também atuaram Samu, Corpo de Bombeiros, PRF e Brigada Militar.
A última pessoa socorrida com vida levou cerca de três horas e meia para ser resgatada. Além da areia, estava com as pernas presas às ferragens. Dois guinchos pesados permaneceram ancorados ao ônibus durante todo o resgate para evitar deslocamento da estrutura, já que o veículo estava posicionado próximo a um talude.
A rodovia ficou totalmente bloqueada durante grande parte do dia, com congestionamentos de até oito quilômetros. Todos os feridos foram encaminhados a Pelotas.
A Ecovias Sul informou que o acidente foi o mais grave em número de vítimas já registrado pela concessionária. A empresa também questionou a segurança de sistemas de rastreamento que permitem o bloqueio de veículos pesados em movimento sobre a pista.





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