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A disputa pelo Piratini e os desafios de Eduardo Leite na próxima eleição

  • 5 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

PT, MDB, PL, PDT, PSDB e Missão estão com as cartas na mesa há 10 meses da eleição


Por Jean Pierre Knepper - MTb/RS 20832


A disputa pela cadeira mais importante do Executivo no Rio Grande do Sul, a do Palácio Piratini, conta, hoje, com seis pré-candidatos colocados à mesa. As candidaturas vêm tanto de partidos que integram a gestão de Eduardo Leite, como MDB, PDT e PSDB, com presença no primeiro escalão, quanto de siglas da oposição, como PL, PT e o Missão, que também se lançam na corrida eleitoral.


Entre os nomes já lançados, Leite enfrenta um grande desafio, talvez mais pessoal do que político: manter o apoio ao seu vice, Gabriel Souza (MDB), e, ao mesmo tempo, impulsionar Paula Mascarenhas (PSDB), sua aliada desde 2012, quando foi sua vice-prefeita em Pelotas (2013/2016). Mas é claro, ele não poderá apoiar os dois e não quer perder influência na gestão estadual, caso a pulverização dos votos não coloque nenhum dos dois na cadeira, aquela. O governador tem duas alternativas, ainda mais delicadas, tentar acomodar Gabriel e Paula em uma mesma chapa, buscando unificar a disputa e preservar o equilíbrio dentro da base aliada ou incentivar um deles a desistir da disputa por este cargo. Entre linhas, pode ser que tudo esteja negociado, nos bastidores.


Mas e o PDT de Juliana Brizola? Aí surge uma interrogação. Os correligionários de Brizola ocupam duas cadeiras no primeiro escalão do Executivo, Gilmar Sossela na Secretaria de Trabalho e Eduardo Loureiro na Secretaria de Cultura. Seriam “inimigos na trincheira”? Como o candidato do governo e atual vice-governador enxerga esse cenário? Estaria o governo concedendo espaços estratégicos à oposição? Essa é a dúvida que paira.


Na mesma lógica de ocupação de cargos, Paula Mascarenhas também desempenha papel central no governo, à frente da Secretaria de Relações Institucionais, onde mantém diálogo contínuo com lideranças dos 497 municípios do Estado. Essa posição, de grande peso político, pode se tornar uma pedra no sapato de Gabriel, pré-candidato de Eduardo Leite.


Em meio a todas essas entrelinhas, há um elemento de pré-campanha que merece atenção: o discurso. Se há dois nomes muito próximos de Leite, Gabriel e Paula, e um partido com cargos no primeiro escalão, como o PDT, é natural supor que todos adotem uma mesma linha: elogiar a gestão da qual fazem parte. Ou não? Nesse cenário, surge a pergunta central: quem, afinal, representará o governo e a continuidade da gestão Eduardo Leite?


Para a oposição, representada por Edegar Pretto (PT), Luciano Zucco (PL) e Evandro Augusto (Missão), o discurso costuma ser mais simples: apontar as falhas da gestão atual e apresentar alternativas de mudança. Entre esses candidatos, dois chegam com uma vantagem eleitoral significativa impulsionada pela polarização e por lideranças nacionais de grande peso: o PT de Lula, que tende a ser novamente candidato, e o PL de Bolsonaro, que, mesmo preso, deverá “apoiar” algum nome no cenário nacional.


Em meio a todo esse "embrolho", Eduardo Leite precisa consolidar uma base política sólida para assumir sua nova cadeira. O futuro do governador ainda é incerto: ele demonstra vontade de subir a rampa do Planalto, mas o futuro pode ter outros planos para ele, o Senado. Resta saber se ele aceitará. No próximo ano, teremos essa resposta.


As cartas chegaram cedo: ainda faltam dez meses para a eleição. Muita coisa pode mudar até lá, mas é importante começar a conhecer e pesquisar a trajetória de cada candidato. Afinal, é direito, e também dever, de todo cidadão brasileiro escolher o melhor projeto para a sociedade.


Quem são e o que cada um representa?


Edegar Pretto

Formado em Gestão Pública, Pretto iniciou sua militância nos movimentos sociais ligados ao campo e juventude. Desde 2011, foi eleito por três vezes deputado estadual no Rio Grande do Sul, sempre sendo o mais votado do PT nas respectivas eleições.


Em 2023, assumiu a presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cargo que reforça seu perfil ligado à defesa da produção agrícola, da segurança alimentar e da agricultura familiar, bandeiras históricas de sua trajetória política.


Disputou o governo do Estado em 2022 pela coligação “Frente da Esperança”, alcançando cerca de 1,7 milhão de votos, mostrando força eleitoral e representatividade num campo de disputa polarizada.


Gabriel Souza

Nasceu em 2 de janeiro de 1984, em Porto Alegre, mas cresceu em Tramandaí. É médico‑veterinário de formação e possui especialização em Gestão Pública e mestrado em Direito Empresarial e Cidadania.


Foi eleito deputado estadual em 2014 e reeleito em 2018, na segunda eleição, tornando‑se o mais votado do MDB no Estado. Durante seu mandato, exerceu cargos de liderança na Assembleia Legislativa: foi líder de governo, presidente da casa (em 2021) e liderou frentes parlamentares, com ênfase em pautas como apoio ao produtor rural, causa animal, cooperação federativa e defesa de um “Estado necessário”.


Em 2023, assumiu o cargo de vice‑governador do Rio Grande do Sul, compondo a chapa com Eduardo Leite.


Juliana Brizola

Advogada, filiada ao PDT desde os 18 anos, e neta do ex-governador Leonel Brizola, cuja herança política marca seu perfil público. Entre 2009 e 2011, foi vereadora de Porto Alegre, e de 2011 a 2023 exerceu mandatos consecutivos como deputada estadual no Rio Grande do Sul, nos quais se destacou como principal defensora da educação pública.


Em 2025, Juliana lançou sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, com discurso pautado no trabalhismo, na tradição de seu avô, e na defesa de pautas sociais, sobretudo educação, inclusão e recomposição da presença pública do Estado


Luciano Zucco

 deputado federal pelo Rio Grande do Sul, filiado ao PL, e se destaca como uma das principais lideranças conservadoras do estado. Nascido em 1974 em Alegrete, Zucco tem formação militar, com passagem pelo Exército e especializações em segurança pública e inteligência estratégica.


Ele iniciou sua carreira política em 2018, sendo eleito deputado estadual com ampla votação, e em 2022 conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, novamente como o mais votado do estado. No Congresso, Zucco se tornou referência em pautas ligadas à segurança, defesa do produtor rural, propriedade privada e educação cívico-militar.


Com forte base eleitoral no interior e entre eleitores conservadores, ele surge como um dos nomes mais competitivos para o governo do RS em 2026, representando uma alternativa à polarização tradicional entre esquerda e centro.


Paula Mascarenhas

Nasceu em 8 de fevereiro de 1970, em Pelotas (RS). É professora de Letras com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e lecionou por muitos anos na Universidade Federal de Pelotas.


Teve seu primeiro mandato executivo como vice‑prefeita de Pelotas na chapa de Eduardo Leite (2013–2016). Em 2016, foi eleita prefeita dessa mesma cidade pelo PSDB; com isso, tornou-se a primeira mulher a comandar o Executivo de Pelotas, e foi reeleita em 2020 com ampla votação.


Em 2025, Paula assumiu o cargo de Secretária Extraordinária de Relações Institucionais do Estado do Rio Grande do Sul, no governo de Leite, acumulando também a presidência estadual do PSDB no RS e vice‑presidência nacional da sigla.


Evandro Augusto

Evandro Augusto, de 44 anos, é policial rodoviário federal há 11 anos e foi anunciado no final de 2025 como pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul pelo recém-formado Partido Missão.


Natural de Santa Cruz do Sul, ele também é formado em jornalismo e se define como especialista em segurança pública, combate a mercados ilícitos e crime organizado, pautas centrais de sua pré-candidatura.


No tabuleiro eleitoral de 2026, sua candidatura pelo Missão representa duas apostas: dar voz a uma narrativa de segurança e combate à corrupção, e, atrair quem busca uma alternativa fora da polarização tradicional, sem vínculos com os partidos históricos do Estado.



  • Fotos dos pré-candidatos: Reprodução Redes Sociais e Divulgações
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